Este livro visa à elaboração de uma análise crítica sobre as principais inquietações da razão e da emoção na atualidade, no intuito de cartografar alguns de seus modos de designação, a partir do surgimento de novas modalidades de representação e de expressão do sofrimento psíquico, notadamente em função do advento do contexto da saúde mental.
O ponto de partida de nossas reflexões foi a adoção de uma antropologia filosófica que afirma a condição trágica da existência humana, perspectiva que relançamos à cena contemporânea, na afirmação de ser o sofrimento um fenômeno universal tão antigo quanto a própria humanidade, mas que se expressa e se atualiza historicamente.
Marília Antunes Dantas é Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1990); Mestra em Psicologia (Psicologia Social) pela Universidade Gama Filho (1993) e Doutora em Psicologia Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2007), tendo participado de Programa de Desenvolvimento de Estágio no Exterior (PDEE-CAPES) na Université Paris 5 Sorbonne, com aperfeiçoamento em Sociologie de la Santé et du Monde Médical (EHESS) e em Sociologie des Interventions sur le Social (EHESS). Atualmente é Professora auxiliar de ensino da Universidade Estácio de Sá – Campus de Petrópolis, e Diretora do Centro de Estudos Sobre o Atual e o Cotidiano (CEAC-Petrópolis).
| INTRODUÇÃO |
I A TRAGICIDADE DA CONDIÇÃO HUMANA E O SER EM SOFRIMENTO |
| | 1.1 Uma análise sobre o conceito de trágico e de sofrimento (pathos e phobos) |
| | 1.2 O ritmo na tragédia grega e a consciência trágica do tempo |
| | 1.3 Modernidade tragicofóbica e o advento da noção de vontade. |
| | 1.4 O "retorno do trágico nas sociedades pós-modernas" e as figuras contemporâneas do destino |
II ARQUITETURA E GRAMÁTICA DO SOFRIMENTO PSÍQUICO NO PROJETO DA MODERNIDADE |
| | 2.1 A modernidade e a construção moderna da noção de sofrimento psíquico |
| | 2.1.1 O projeto civilizatório da modernidade e a constituição do espaço ‘psi’ |
| | 2.1.2 O sujeito moderno: o trágico e as tonalidades afetivas modernas |
| | 2.1.3 Modernidade: Sociedade industrial, mal-estar e sofrimento psíquico |
| | 2.2 A construção moderna de indivíduo a partir das noções de propriedade privada, de propriedade social e de propriedade de si |
III CONTEMPORANEIDADE: DA PÓS-MODERNIDADE AOS TEMPOS HIPERMODERNOS |
| | 3.1 Pós-modernidade e subjetividade pós-moderna |
| | 3.2 Hipermodernidade: Os tempos hipermodernos |
| | 3.2.1 Identidade, insegurança social e as tonalidades afetivas atuais |
| | 3.2.2 Sociedade de consumo, felicidade e a mediação da existência |
| | 3.2.3 A dimensão do desejo e a estética da manipulação da mercadoria |
| | 3.2.4 A banalização da linguagem ‘psi’ e o mercado contemporâneo do sofrimento psíquico |
| | 3.2.5 O mal-estar hipermoderno. |
IV DA BILLIS NEGRA À PSICOFARMACOLOGIA COSMÉTICA |
| | 4.1 O sentido do sintoma nos diferentes discursos ‘psi’, as cosmovisões da corporeidade e o efeito pharmákon |
| | 4.2 Saúde Mental: uma nova perspectiva para o sofrimento psíquico? |
| | 4.2.1 Depressão: desde a billis negra à ‘fatigue d’être soi’ |
| | 4.2.2 ‘Psicofarmacologia Cosmética’: Os usos sociais dos medicamentos psicotrópicos |
| | 4.2.3 Modalidades contemporâneas de representação e de expressão do sofrimento psíquico e as tonalidades afetivas atuais |
| | 4.2.4 O trágico e as novas adicções |
V A NOÇÃO DE IDENTIDADE: A ‘IDENTIDADE’ DE DOENTE E A RELAÇÃO DO PACIENTE COM A ‘PATOLOGIA’ |
| | 5.1 Identidade: origens e complexidade do termo |
| | 5.1.1 A ‘identidade’ de doente e a relação do paciente com a patologia a partir da construção social da noção de saúde mental |
VI DISCURSOS E PRÁTICAS ’PSI’: EM BUSCA DE UMA GRAMÁTICA PARA O SOFRIMENTO PSÍQUICO |
| | 6.1 Uma análise do processo histórico de constituição do espaço psicológico |
| | 6.2 As divergências entre os diversos discursos e práticas ‘psi’ e os diferentes ‘éthos’ que sustentam as modalidades psicoterapêuticas sobre o sofrimento psíquico |
| | 6.3 A ética dos discursos e práticas ‘psi’, a questão da produção de sentido e a especificidade da demanda |
VII CONSIDERAÇ ÕES FINAI S |
REFERÊNCIAS |
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