Declínio da Interpretação, O - Experiência e Intervenção em Psicanálise

2ª Edição - Revista e Ampliada Roberto Barberena Graña

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Ficha técnica

Autor(es): Roberto Barberena Graña

ISBN: 978652631956-7

Edição/Tiragem: 2ª Edição - Revista e Ampliada

Acabamento: Brochura

Formato: 16,0x23,0 cm

Peso: 262grs.

Número de páginas: 204

Publicado em: 10/03/2026

Área(s): Psicologia - Psicanálise

Sinopse

O pensamento psicanalítico nutriu-se filosoficamente, em suas origens, da vertente platônico-kantiano-schopenhaueriana, e Freud disso não fez segredo, a despeito das pretensões cientificistas que o acompanharam ao longo da vida. O fenômeno Nietzsche, porém, teve sobre ele um efeito perturbador. Era o Isso gritando alto e insurgindo-se furiosa e sardonicamente contra o método, a história, o humanismo e a razão. Freud sentiu-se de tal forma fascinado e ameaçado por Friedrich Nietzsche que esforçou-se para resistir à tentação de lê-lo. Percebia que ele e Nietzsche afundavam suas mãos no mesmo magma sulfurante e extraíam dali verdades moralmente inadmissíveis para a época, que engendravam um permanente estado de tempestade tensão. Mas Freud domesticava apolineamente o inconsciente e o Isso submetendo-os ao Eu, aos processos secundários, à voz do intelecto, à lógica da interpretação. Contrariamente a isso, Nietzsche atiçava dionisiacamente as labaredas que subiam das profundezas dos abismos de fogo que o seu pensamento explorava em obstinado frenesi. Freud instituiu a Deutung, com um propósito de compreensão do fenômeno anímico e de ordenamento das descrições e explicações; Nietzsche exercitou a Auslegung, condenando todo saber humano a um perspectivismo insanavelmente refratário aos esforços de esclarecimento e generalização.

Com os deslocamentos e desdobramentos agenciados ao longo de cem anos o pensamento psicanalítico do século XXI sofrerá uma mediata, mas marcante, influência do pensamento de Friedrich Nietzsche, por conta do diálogo permanente que com ele estabeleceram os filósofos contemporâneos, cujas obras foram concebidas sob o signo do ceticismo, do perspectivismo, da transvaloração e do vitalismo nietzscheanos. Não há nenhuma impropriedade ou exagero em realçar as notáveis ressonâncias Nietzsche-Ferenczi, Heidegger-Lacan e Deleuze-Winnicott, como pretenderemos, no curso deste livro, demonstrar. A perspectiva teórico-clínica cujo ocaso esta obra propõe-se a criticar é justamente a que recomenda e avaliza as operações “decifrativas”, que ao sustentarem-se num pressuposto conteudista, e numa suposta preexistência dos significados, instituem o psicanalista na condição de tradutor-intérprete, de arqueólogo, de exegeta, e condenam o analisando a uma insuperável atitude de servidão imaginária ao saber do Outro, o qual se absolutiza em temerárias manobras de significação. Tentar estabelecer por seu “centro” a forma como se pensa e pratica a psicanálise em nossos dias, numa vertente freudiano-ferencziana, será talvez a ambição maior deste livro.

Autor(es)

ROBERTO BARBERENA GRAÑA

Psicanalista, escritor, Membro Titular e Didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre (SBPPA), Full Member da International Psychoanalytical Association (IPA), Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Pós-doutor em Filosofia e Psicanálise (Paris VII-Diderot). Há 25 anos é professor e supervisor do Instituto Contemporâneo de Psicanálise e Transdisciplinaridade (ICPT), onde coordena a formação psicanalítica e seminários regulares sobre as obras de Sándor Ferenczi, Donald Winnicott e Jacques Lacan, além de seminários sobre filosofia e psicanálise. Em 2001 ministrou o primeiro seminário clínico de psicanálise com crianças e adolescentes na Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre e, posteriormente, assumiu durante os anos de 2002 e 2003 a coordenação do primeiro seminário introdutório à obra de Winnicott na mesma instituição, onde dirige hoje seminários sobre a contemporaneidade da psicanálise e sobre os seus próprios livros, escritos e ideias. Já ditou cursos de extensão e fez conferências em diversas universidades (PUCRS, PUCSP, UERJ, USP, ULBRA, FURG, URI, IESA, UCS, UFRJ) e em diferentes so-ciedades psicanalíticas brasileiras. Apresentou trabalhos em Londres, Paris, Barcelona, Lisboa, Buenos Aires, Santiago, Montevideo, Lima, Córdoba e Asunción. Atualmente mantém cursos e grupos de estudo permanentes sobre as obras de Winnicott e Lacan em interdiscursividade com a filosofia, a literatura e a teoria e crítica literárias. Possui quinze livros editados: D. W. Winnicott – Estudos (1991); Técnica psicoterápica na adolescência (1993); Além do desvio sexual – teoria, clínica, cultura (1995); Homossexualidade – formulações psicanalíticas atuais (1997); A atualidade da psicanálise de crianças (2001); A atualidade da psicanálise de adolescentes (2004); A carne e a escrita – um estudo psicanalítico sobre a criação literária (2005); Origens de Winnicott – ascendentes psicanalíticos e filosóficos de um pensamento original (2007); Transtornos da identidade de gênero na infância – escritos selecionados (2009); Lacan com Winnicott – espelhamento e subjetivação (2011); O declínio da interpretação – experiência e intervenção em psicanálise (2014), Heidegger ou as vicissitudes da destruição (2016), Sartre ou o inconsciente como álibi (2019), Deleuze ou os devires da psicanálise (2023), Psicanálise tem algo a ver com filosofia? (2023), Psicanálise tem algo a ver com literatura? (2026, no prelo). Além disso possui grande número de publicações individuais em revistas especializadas, jornais, livros coletivos e anais de congressos nacionais e internacionais.

 

Sumário

A CONTEMPORANEIDADE DA PSICANÁLISE COM CRIANÇAS: VER, OUVIR, BRINCAR, INTERVIR, p. 17

2 EXPERIÊNCIA E INTERVENÇÃO EM PSICANÁLISE: INDICAÇÃO LÚDICA E TESTEMUNHO PRESENCIAL, p. 31

3 O DIÁLOGO TRANSICIONAL NA PSICANÁLISE DE CRIANÇAS: IMPLICAÇÕES CLÍNICAS DE UMA REDESCRIÇÃO CONCEITUAL, p. 47

4 O DECLÍNIO DA INTERPRETAÇÃO E A CONTEMPORANEIDADE DA PSICANÁLISE, p. 71

5 A CRISE DA INTERPRETAÇÃO: DA DECIFRAÇÃO AO DESDOBRAMENTO, p. 91

6 A POTENCIALIDADE TERAPÊUTICA DA EXPERIÊNCIA LITERÁRIA: INTERPRETÂNCIA X USABILIDADE, p. 125

7 O QUE ISSO ESCREVE! OU DESLENDO UM OBITUÁRIO DE SIGMUND FREUD: "SÁNDOR FERENCZI (1933)", p. 147

8 ACHERONTA MOVEAMUS, SED NON MULTUM: SOBRE OS SONHOS DOS PSICANALISTAS AUTOINTERPRETADOS, p. 165

APÊNDICE - A INVENÇÃO DO CONTEMPORÂNEO EM PSICANÁLISE, p. 187

Índice alfabético

A

  • A contemporaneidade da psicanálise com crianças: ver, ouvir, brincar, intervir, p. 17
  • A invenção do contemporâneo em psicanálise. Apêndice, p. 187
  • Acheronta moveamus, sed non multum: sobre os sonhos dos psicanalistas autointerpretados, p. 165
  • Apêndice - a invenção do contemporâneo em psicanálise, p. 187
  • Apresentação, p. 9

C

  • Contemporaneidade. O declínio da interpretação e a contemporaneidade da psicanálise, p. 71
  • Contemporâneo. Apêndice - a invenção do contemporâneo em psicanálise, p. 187
  • Crianças. A contemporaneidade da psicanálise com crianças: ver, ouvir, brincar, intervir, p. 17
  • Crianças. O diálogo transicional na psicanálise de crianças: implicações clínicas de uma redescrição conceitual, p. 47
  • Crise da interpretação: da decifração ao desdobramento, p. 91

D

  • Decifração. A crise da interpretação: da decifração ao desdobramento, p. 91
  • Declínio da interpretação e a contemporaneidade da psicanálise, p. 71
  • Desdobramento. A crise da interpretação: da decifração ao desdobramento, p. 91
  • Diálogo transicional na psicanálise de crianças: implicações clínicas de uma redescrição conceitual, p. 47

E

  • Experiência e intervenção em psicanálise: indicação lúdica e testemunho presencial, p. 31
  • Experiência literária. A potencialidade terapêutica da experiência literária: interpretância x usabilidade, p. 125

F

  • Freud. O que isso escreve! Ou deslendo um obituário de Sigmund Freud: "sándor ferenczi (1933)", p. 147

I

  • Implicações clínicas. O diálogo transicional na psicanálise de crianças: implicações clínicas de uma redescrição conceitual, p. 47
  • Indicação lúdica. Experiência e intervenção em psicanálise: indicação lúdica e testemunho presencial, p. 31
  • Interpretação. A crise da interpretação: da decifração ao desdobramento, p. 91
  • Interpretação. O declínio da interpretação e a contemporaneidade da psicanálise, p. 71
  • Interpretância. A potencialidade terapêutica da experiência literária: interpretância x usabilidade, p. 125

O

  • O que isso escreve! Ou deslendo um obituário de Sigmund Freud: "sándor ferenczi (1933)", p. 147

P

  • Potencialidade terapêutica da experiência literária: interpretância x usabilidade, p. 125
  • Psicanálise com crianças. A contemporaneidade da psicanálise com crianças: ver, ouvir, brincar, intervir, p. 17
  • Psicanálise de crianças. O diálogo transicional na psicanálise de crianças: implicações clínicas de uma redescrição conceitual, p. 47
  • Psicanálise. Apêndice - a invenção do contemporâneo em psicanálise, p. 187
  • Psicanálise. Experiência e intervenção em psicanálise: indicação lúdica e testemunho presencial, p. 31
  • Psicanálise. O declínio da interpretação e a contemporaneidade da psicanálise, p. 71
  • Psicanalistas. Acheronta moveamus, sed non multum: sobre os sonhos dos psicanalistas autointerpretados, p. 165

R

  • Redescrição conceitual. O diálogo transicional na psicanálise de crianças: implicações clínicas de uma redescrição conceitual, p. 47

S

  • Sándor ferenczi. O que isso escreve! Ou deslendo um obituário de Sigmund Freud: "sándor ferenczi (1933)", p. 147
  • Sigmund freud. O que isso escreve! Ou deslendo um obituário de Sigmund Freud: "sándor ferenczi (1933)", p. 147
  • Sonhos. Acheronta moveamus, sed non multum: sobre os sonhos dos psicanalistas autointerpretados, p. 165

T

  • Testemunho presencial. Experiência e intervenção em psicanálise: indicação lúdica e testemunho presencial, p. 31

U

  • Usabilidade. A potencialidade terapêutica da experiência literária: interpretância x usabilidade, p. 125

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